sábado, 30 de novembro de 2013

Tráfico de pessoas humanas

Olhos para o crime do tráfico de pessoas humanas!

Mais de duzentas e cinquenta lideranças eclesiais de todas as paróquias da diocese de Chapecó (SC) estiveram reunidas durante toda a manhã de hoje em Pinhalzinho (SC) para o VI Seminário de Preparação da Campanha da Fraternidade. Convocadas pela Coordenação Diocesana de Pastoral e acolhidas pelas comunidades da Paróquia de Pinhalzinho – que, além da infra-estrutura física também preparou e ofereceu o café da manhã e o almoço – estes servidores das comunidades eclesiais refletiram sobre fraternidade e tráfico de seres humanos, tema proposto pela Campanha da Fraternidade, edição de 2014.

Penso que iniciativas como essa são louváveis e merecem ser imitadas, pois, com bastante antecipação, informam e provocam nossas comunidades e lideranças para que não adiem para depois que o último bloco ou a última escola de samba fechar o carnaval a preparação da Quaresma e da Campanha da Fraternidade. Mesmo que o período de férias e das festas natalinas e de fim de ano coloquem como que entre parênteses a vida pastoral, de alguma forma o tempo pode ser aproveitado para motivação e organização das atividades, de modo que, quando soar a hora, o lançamento se faça com força e em grande estilo.

O objetivo principal desta enésima Campanha promovida pela Igreja do Brasil é mobilizar as comunidades na missão de identificar e denunciar as práticas de tráfico de pessoas humanas, mobilizando também pessoas e meios para prevenir e erradicar este mal. Trata-se de uma violência na maioria das vezes invisível ou ocultada, que se desdobra em tráfico de trabalhadores, para exploração da força de trabalho; tráfico de pessoas em situação de necessidade, dispostas e vender or próprios órgãos; tráfico de mulheres e crianças para a prostituição; tráfico de crianças para adoção ilegal.

Como de costume, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, através da coordenação nacional da Campanha da Fraternidade, oferece uma grande variedade de bons subsídios de divulgação, animação e reflexão, entre os quais se destaca o Texto-Base. Por quê não aproveitar o tempo de férias, ou a diminuição das atividades no início do ano, para adentrar mais nesta grave e complexa questão e imaginar formas de intervenção, tanto de caráter pastoral como no campo da sociedade civil? Afinal, temos bem presente que não se trata apenas de um tema para estudo ou oração, mas de uma questão que nos pede ação inteligente, continuada e articulada.


Itacir Brassiani msf

A Palavra na vida

(Mt 4,18-22) Fechamos o ano litúrgico com um sereno sorriso, desfazendo o tom preocupado das últimas semanas. O mês e o ano terminam celebrando a festa de um apóstolo (e que apóstolo!): André, irmão de Simão Pedro, discípulo de João Batista e companheiro de João evangelista. Segundo a tradição crsitã, foi André quem evangelizou o oriente cristão, e no primeiro milênio os dois irmãos, Pedro e André, eram os padroeiros das duas igrejas irmãs, a latina e a ortodoxa. Hoje, a memória de um destes apóstolos nos oferece uma preciosa indicação para compreender em qual direção devemos andar para repropor com credibilidade a nossa fé: partindo de novo da pregação dos apóstolos. A mensagem do Evangelho, inserida numa história complexa e nem sempre brilhante, chega a nós às vezes presa a uma complexa rede de tradições e culturas que hoje podem até obscurecer sua vivacidade e esplendor. Repartir da fé apostólica significa, concretamente, voltar às raízes do anúncio, simplificá-lo, reformulá-lo com uma linguagem compreensível ao homem contemporâneo. Somente assim saberemos dar glórias ao Senhor que habita a história e que esperamos na glória. (Paolo Curtaz, Parola & Preghiera, novembro/2013, p. 208)

Nota da CNBB sobre Povos Indígenas e Agricultores

Bem aventurados os mansos porque possuirão a terra (Mt 5, 5)

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunido em Brasília, se une à angústia dos povos indígenas e agricultores diante da inércia do governo federal e dos respectivos governos estaduais em solucionar verdadeira e definitivamente os crescentes conflitos fundiários que envolvem estes nossos irmãos.

Entendemos que a solução para esta situação passa necessariamente pelo reconhecimento do direito histórico e constitucional dos povos indígenas sobre suas terras tradicionais, bem como, pelo reconhecimento dos títulos de terra denominados de boa fé.

Os entes federados, responsáveis pela emissão de títulos de propriedade sobre terras da União, devem assumir a responsabilidade pelo erro político-administrativo que cometeram e indenizar os agricultores que adquiriram de boa fé e pagaram pela terra onde vivem com suas famílias e formaram comunidades. Além disso, o Estado deve indenizar os agricultores pelas benfeitorias construídas sobre as terras e, aquelas famílias que desejarem ser reassentadas, precisam ter esse direito devidamente respeitado, como estabelece o decreto 1775/96, preferencialmente na mesma região.

Não é aceitável a posição assumida pelo governo federal e pelos distintos governos estaduais neste processo. Impedir e protelar a solução desses problemas potencializa a insegurança, as angústias e os riscos de conflitos entre indígenas e agricultores, ambos vítimas de um modelo equivocado de ocupação do território brasileiro.

A Igreja e seus ministros têm compromisso de evangelização e de pastoral com indígenas e agricultores. Neste compromisso, se colocam a serviço da vida plena. (DGAE 106).

O momento é crítico e exige urgente e efetiva ação por parte do governo brasileiro em defesa da vida, da justiça e da paz entre indígenas e agricultores no país. Que Nossa Senhora, a mãe de todos os povos, olhe por seus filhos nesse momento de dor e preocupações.


Brasília, 27 de novembro de 2013.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de Aparecida (SP) Arcebispo de São Luís (MA)
Presidente da CNBB Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário Geral da CNBB

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Palavra na vida

(Lc 21,29-33) A palavra de Jesus não passa. Com esta certeza, concluímos o ano litúrgico, agarrados na promessa do Mestre. E com esta certeza possamos também ler os eventos do mundo e da Igreja, sem medo, sem vontade de voltar atrás, sem visões estreitas e medrosas, mas com o olhar amplo que somente a fé pode nos dar. O/a discíupulo/a olha o mundo com um realismo otimista: sem ceder ao aparente brilho de quem periodicamente encontra soluções definitivas, sabe que todos trazemos no coração uma sombra, o pecado original, e que tal sombra roe, a partir de dentro, toda utopia, projeto ou revolução. Mas isso não significa que permanecemos imóveis, sem fazer nada, que nos resignamos. Nós esperamos novos céus e nova terra, onde a justiça virá para estabelecer morada definitiva. Aqui e agora construímos o reino onde vivemos, com simplicidade, obstinação, alegria. Aqui e agora realizamos o sonho de Deus, sonho de um mundo no qual acolhemo-noss no respeito à diversidade, buscando juntos o sentido último da vida que Cristo nos revelou. E a espera é plena da presença e das palavras de Cristo, que não passam e que se tornam pão cotidiano.  (Paolo Curtaz, Parola & Preghiera, novembro/2013, p. 202)

A Palavra na vida

(Lc 21,29-33) A palavra de Jesus não passa. Com esta certeza, concluímos o ano litúrgico, agarrados na promessa do Mestre. E com esta certeza possamos também ler os eventos do mundo e da Igreja, sem medo, sem vontade de voltar atrás, sem visões estreitas e medrosas, mas com o olhar amplo que somente a fé pode nos dar. O/a discíupulo/a olha o mundo com um realismo otimista: sem ceder ao aparente brilho de quem periodicamente encontra soluções definitivas, sabe que todos trazemos no coração uma sombra, o pecado original, e que tal sombra roe, a partir de dentro, toda utopia, projeto ou revolução. Mas isso não significa que permanecemos imóveis, sem fazer nada, que nos resignamos. Nós esperamos novos céus e nova terra, onde a justiça virá para estabelecer morada definitiva. Aqui e agora construímos o reino onde vivemos, com simplicidade, obstinação, alegria. Aqui e agora realizamos o sonho de Deus, sonho de um mundo no qual acolhemo-noss no respeito à diversidade, buscando juntos o sentido último da vida que Cristo nos revelou. E a espera é plena da presença e das palavras de Cristo, que não passam e que se tornam pão cotidiano.  (Paolo Curtaz, Parola & Preghiera, novembro/2013, p. 202)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Primeiro domingo do advento

Quando e como o Mundo Novo se manifestará?
Como comunidade cristã, estamos propriamente iniciando a caminhada de preparação para a festa do Natal, a memória da encarnação de Deus na condição humana. É verdade que o comércio já se antecipou em várias semanas e procura nos convencer de que a verdadeira boa notícia não nos vem de um bebê que nasce num abrigo para animais mas de um vovô gorducho e simpático que frequenta e promove os centros comerciais. Então, a primeira atitude que precisamos desenvolver na preparação do natal é o discernimento e a vigilância: uma atenção sem distração.
Não podemos identificar Jesus com um moralista preocupado simplesmente em condenar as festas, a comida ou a bebida. Ele é um profeta que chama a atenção para aquilo que é definitivamente essencial e nos previne sobre os riscos de uma fé vivida de forma alienada ou escapista, sem responsabilidade histórica. No evangelho de hoje, Jesus nos adverte que as rotinas e compromissos cotidianos, impostos pela ditadura da simples sobrevivência ou pelos interesses estreitos e imediatos, pode nos levar a uma perigosa distração em relação ao que é evangelicamente essencial.
É isso que Jesus quer evidenciar recorrendo ao episódio de Noé e à parábola do ladrão. Os contemporâneos de Noé tocam a vida normalmente, inclusive fazendo coisas boas e não condenáveis, mas não atinam para algo decisivo que está por acontecer. Se soubéssemos a hora em que chega o ladrão, montaríamos guarda e evitaríamos o pior. Mas como não sabemos onde, quando e como Deus se manifesta na história, precisamos evitar distrações – inclusive aquelas propostas por liturgias festivas que prometem prosperidade e facilidades! – e sintonizar com a Palavra de Deus e o advento do seu Reino. Precisamos permanecer sempre lúcidos e vigilantes.
Escrevendo aos Romanos e usando outras palavras, Paulo se refere ao mesmo risco. Vivemos numa cultura da distração. A oferta de uma quantidade estonteante de mercadorias, a possibilidade de infinitas e sempre novas experiências, o acesso facilitado aos lugares mais exóticos e distantes, e até a multiplicação das expressões de piedade, têm um só objetivo: oferecer distração e evitar que nos confrontemos com as questões fundamentais que nos interpelam como indivíduos, como Igreja e como humanidade. Esta enxurrada de possibilidades nos envolve como uma noite, e nós dormimos.
Paulo pede também que evitemos brigas e rivalidades. Além dos sangrentos conflitos que contrapõem cidadãos e imigrantes,  ocidentais e orientais, ricos e pobres, consumidores e excluídos, civilizados e bárbaros, partidos de centro-direita e de centro-esquerda..., há a competição pelo maior número de fiéis, pelo presente mais fabuloso, pela carreira mais fulgurante, pelo menor preço e maior qualidade, pela conquista dos mercados emergentes, pelo maior faturamento nas vendas natalinas... A noite se nos apresenta plena de pesadelos e ameaças.
Enfim, Paulo nos convida à sobriedade no comprar, no comer e no beber. Não se trata de austeridade – que é uma espécie de doença espiritual própria de quem despreza o que dá prazer – mas da sobriedade, atitude de quem sabe que está no mundo como hóspede e se deixa guiar por um sonho que ainda armará sua tenda na história. Comemos e bebemos sobriamente para celebrar o advento de Deus na humanidade, mas temos consciência de que o Reino de Deus não se resume à comida e à bebida, a este velho mundo anunciado como o único ou o melhor dos mundos possíveis.
Infelizmente, o tempo de espera vigilante foi se transformando em tempo de comércio alucinante, e a única coisa que se espera é receber um bom presente ou conseguir pagar as despesas das festas...  As milhares de luzes que piscam e seduzem as pessoas incautas, reduzidas a consumidores manipuláveis, não são mais que sinais da noite que nos envolve. “Já é hora de despertardes do sono. A noite está quase passando e o dia vem chegando.” É aqui que a mística do Advento entra como um despertador que nos acorda do sono letárgico e nos coloca de pé, vigilantes.
Ensina-nos, Jesus de Nazaré, a trilhar o caminho que leva ao encontro contigo e nos ajuda a viver acordados, lúcidos e solidários as quatro semanas de Advento que se abrem diante de nós. Dá-nos um olhar límpido e inteligente, capaz de ver onde, como e quando teu Reino está germinando e pedindo nossa colaboração. Desperta em nós a coragem e a criatividade necessárias para transformar espadas em enxadas, lanças em foices, indiferença em compaixão, presentes em presença. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

(Isaías 2,1-5 * Salmo 121 (122) * Carta aos Romanos 13,11-14 * Lucas 24,37-44)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A Palavra na vida

(Lc 21,12-19) Uma coisa negativa e brutal – ser levado diante dos tribunais, ser perseguido – se torna uma ocasião para testemunhar a compaixão de Deus, para falar do Evangelho, para anunciar o surpreendente rosto de Deus. Jesus é mesmo fora do comum no seu otimismo! Mas isso que ele diz é absolutamente verdadeiro: sem sermos heróis, particularmente bravos e preparados, doutores ou mestres em teologia, podemos dar testemunho do Senhor com nossa fé e nossas palavras, mesmo em contextos desfavoráveis e de perseguição. E este testemunho sempre leva a novas conversões, a novas descobertas, a novos cristãos. Estamos vivendo um tempo em que o ódio contra os cristãos cresce expoenencialmente, e não apenas nos países muçulmanos: também na Europa, tolerante com tudo, menos com os insuportáveis cristãos! Talvez aconteça de termos que dar testemunho do Senhor com a vida... E não sabemos se então estaremos em condições de colocar sua Palavra no centro e de honrá-lo com nossas palavras e nossos gestos. Certamente o seremos se, desde agora, abrirmos o nosso coração à acolhida ardente da sua presença... (Paolo Curtaz, Parola & Preghiera, novembro/2013, p. 186)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Pe. Rodplpho Ceolin msf

Hoje, 25 de novembro, seria a celebração dos 57 anos de ministério presbiteral do Pe. Rodolpho Ceolin msf, interrompidos (?) no último 3 de julho, quando ele celebrou sua páscoa definitiva. Como memória deste acontecimento e homenagem a quem nos deixou uma herança  humana e espiritual incalculável, partilho estas linhas, escritas em agosto passado.

O que devo fazer para que minha vida tenha sentido?

Procuro teu vulto porque me sinto órfão de humanidade. Ajunto pedaços da tua memória e objetos que estiveram contigo porque me descubro mendigo de espiritualidade. Vazio, inquieto, errante e sedento, bato à tua porta e, pendente da palavra que espero dos teus lábios e das indicações que tua vida pode me oferecer, te pergunto, meu bom amigo e grande mestre: “Que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?”

Conheço e guardo com apreço e reverência as palavras sinceras que já me disseste, e que são frutos de uma vida que amadureceu no sofrimento e na busca: “Não passo de um mortal como todo ser humano. O que fui e sou, devo-o unicamente ao bom Deus e a vocês, confrades e a tantos amigos (as) que Ele colocou na minha vida! Por que me chamas de bom?” Não imagino que me remetas aos mandamentos, porque isso nunca fez teu estilo.

Retirei cuidadosamente alguns objetos entre as poucas coisas que nos deixaste, na esperança de que me ajudem a intuir o que pode me conduzir a uma vida que valha a pena. Mas dize-me: de onde vem aquele velho e surrado terço preto, e o que está a me dizer? E em que podem me ajudar aquelas secas canetas douradas, lembrança de meio século de ministério? E para onde me pedem para olhar aqueles óculos velhos e enferrujados?

Na verdade, meu amigo, estou à procura daquilo que me falta, não daquilo que acumulei e que me pesa. Busco ardentemente aquilo que em ti floresceu com naturalidade, como se não existissem espinhos e tempos difíceis. E porque não posso dizer que sempre tenho observado todas as coisas e porque muito daquilo que é essencial à vida cristã continua me escapando, te pergunto: “Que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?”

“Seja você mesmo, apenas mas sempre!” Já me pediram algo semelhante há 26 anos atrás, mas vejo que é isso que eu preciso mesmo. Uma vida que valha a pena ser vivida e que seja portadora de uma alegria tão serena quanto indestrutível depende mesmo da capacidade de escutar-se com profundidade e manter-se coerente com a voz das profundezas; da coragem de ser autêntico e não se curvar para agradar os outros e ser bem-sucedido. Sim, meu amigo, tua bela e exigente vida me ensina isso!

“Doe-se por inteiro àqueles/as amas e àquilo que fazes!” A boca calada, o relógio parado, o coração atento e os ouvidos abertos a quem te procurava sempre me impressionou. É claro que isso te fazia sofrer, mas também te proporcionava aquela serenidade que teus olhos, teu rosto e tua postura geralmente demonstravam. Então ajuda-me a superar a ansiedade dos projetos por realizar, a superficialidade de quem pensa que só tem a ensinar, a indiferença de quem não sabe escutar senão a si mesmo. E muito obrigado por essa lição!

“Aceite o despojamento do amor e evite a inflação do saber!” Nunca lamentaste teus poucos diplomas, mas foste um incansável aprendiz no caminho dos mistérios da vida. E neste caminho, o mesmo amor que te despojava de tantos ornamentos também enriquecia aqueles que te encontravam. Vejo que tenho andado afoito atrás de livros e cursos, encho meus dias de palavras e discursos, subo os degraus e pavimentos, e me vejo cada vez mais vazio e insatisfeito. A primazia do amor, em gestos e verdade... Assim seja!

“Seja o próximo dos últimos e sonhe o futuro sem medo!” Tu viveste o presente como penhor do futuro que sonhavas. Sabias que a vida deveria ser bem melhor, mas celebraste agradecido a beleza do presente. E mesmo com teus muitos anos, gostavas de estar ao lado dos pobres e injustiçados e defendê-los com teu timbre de galo. Por isso tua vida não foi em vão e as tuas generosas sementes foram acolhidas pela terra e germinam. Aceito esta indicação e te peço ajuda constante, para que seja este meu caminho e meu tesouro.

Creio que é isso mesmo que me falta. Tenho tantas outras coisas, mas me falta isso, e isso é muito. Sei que é por aqui que passa o convite a desfazer-me do que me ocupa, a dar o que tenho aos pobres e a seguir Jesus para participar do precioso tesouro do Reino de Deus. Os óculos me ajudarão a ver o mundo sob o prisma do Evangelho. As canetas me ajudarão a escrever minha nova história. O terço me aproximará dos humildes. Mas vem em meu socorro, meu amigo, para que a estas palavras eu não volte para casa triste e desiludido.

Itacir Brassiani msf



domingo, 24 de novembro de 2013

A Palavra na vida

(Lc 23,35-43) Uma estranha festa conclui o nosso ano litúrgico, e um estranho evangelho parece contradizer esta festa. Um rei crucificado, isso é o que celebramos hoje. A chave-de-leitura do evangelho de hoje está exatamente na inquietante provocação da multidão a Jesus: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!” Esta provocação está também da boca dos sacerdotes e dos soldados romanos. Todos estão de acordo com a idéia de que depender dos outros é um sinal de fraqueza. Imaginam que uma pessoa poderosa é aquela que pode salvar-se a si mesma, que pode pensar por si mesma, que tem meios para fazê-lo, sem nenhuma necessidade dos outros. Deus seria aquilo que não podemos permitir-nos ser, o mais poderoso dos poderosos, alguém que não tem necessidade de nada e de ninguém. Para demonstrar que é verdadeiramente Deus, Jesus deveria demonstrar-se egoísta, porque, no nosso estreito modo de pensar, Deus é o sumo egoísta, alguém que basta a si mesmo, feliz na sua perfeita solidão. Deus seria assim uma projeção dos nossos mais escondidos e inconfessáveis desejos, daquilo que admiramos num político bem-sucedido, rico e seguro. É por isso que fazemos tudo para seduzi-lo e corrompê-lo. Não, o nosso Deus não salva a si mesmo; salva a nós, salva mim. Deus se auto-realiza doando-se, relacionando-se, abrindo-se a mim, abrindo-se a nós. (Paolo Curtaz, Parola & Preghiera, novembro/2013, p. 162)

sábado, 23 de novembro de 2013

A Palavra na vida

(Lc 20,27-40) Nosso Deus é Deus dos vivos porque a Moisés, no episódio da sarça ardente, fala dos patriarcas como de pessoas vivas e presentes. Esta simples e genial intuação de Jesus, esta exegese ao vivo que revela, uma vez mais, o extraordinário conhecimento que Jesus tem da Palavra, deveria calar a boca de todos, sobretudo os saduceus, que contestam a idéia da ressurreição, professada pelos fariseus. Deus é um Deus dos mortos quando se torna apenas uma cômoda referência para quem deseja colocar-se ao lado de uma das partes que se confrontam em intermináveis disputas teológicas. Deus está morto quando manipulamos sua Palavra para confirmar os nossos preconceitos. Deus está morto e sepultado quando procuramos enganar o outro com raciocínios tortuosos, dignos da pior teologia. Deus está morto e sepultado quando nos escondemos atrás de teorias ao invés de nos converter à novidade inesperada e inaudita do Mestre. Não coloquemos obstáculos a Deus. Acolhamos a verdade e a novidade da sua Palavra como a escutamos. Que bonito poder afirmar com Jesus que o nosso é um Deus vivo e que, nele, somos imortais! (Paolo Curtaz, Parola & Preghiera, novembro/2013, p. 156)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A Palavra na vida

(Lc 19,45-48) Como ele pode suportar que o mercado ocupe os espaços do templo? Como poderia, depois de ter chorado sobre a cidade? Como poderia aceitar que possam transformar a relação com Deus numa espécie de feira comercial? Que o homem se meta a negociar com Deus, oferecendo ritos, orações e ofertas em troca de favores e bênçãos? O que tem a ver esta horrível idéia de Deus com o rosto do Pai que Jesus experimentou e continua a revelar?... Sua desilusão se transforma em raiva, e a raiva se torna ação, excesso, loucura. Tens razão mestre, muito frequentemente transformamos nossa fé em mercado, tratamos Deus como se devêssemos comprar alguma coisa dele, convencê-lo a fazer um bom preço, certos de que ele deve, enfim, dar-nos uma mão. Tens razão: como é estreita a nossa idéia do Pai, como também nossas igrejas se tornam lugares de culto e não de encontro entre nós e com o Pai. Tens razão: mesmo sendo discípulos e operários na tua vinha, às vezes pensamos que no fundo podemos negociar contigo para conseguir algum favor. Vira também as nossas bancas! Baixa o chicote também em nós! Mesmo irritado, chama-nos também hoje ao essencial... (Paolo Curtaz, Parola & Preghiera, novembro/2013, p. 148)

Privilégios dos 'mensaleiros' petistas?!

Os 10 privilégios dos petistas presos
Antonio Lassance
É  grande e escandalosa a lista de privilégios a que José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares estão usufruindo em sua estada no Planalto Central.
1) A começar, a prisão foi decretada em uma data toda especial. A última vez que tanta gente foi presa em um 15 de novembro foi na própria Proclamação, em 1889. Os presidiários eram, em sua maioria, da Família Real, os Orleans e Bragança. Ou seja, a data não é para qualquer um.
2) Eles (os petistas, não os Orleans e Bragança) tiveram o privilégio de serem presos antes do fim do processo, o que também não é pra qualquer um.
3) Os três, como poucos, foram presos sem a expedição da carta de sentença, o que constitui uma ilegalidade.
4) A lei determina que o preso deve cumprir a pena em seu estado de origem, a não ser excepcional e justificadamente. Mas eles tiveram o privilégio de serem levados a Brasília, de jatinho, por ordem não de um juiz qualquer, mas de Sua Excelência Excelsa e Magnânima, o presidente do Supremo. A falta de um motivo declarado para essa operação espetaculosa gerou a estranheza de ministros do próprio STF, tamanho o... privilégio.
5) Condenados ao regime semiaberto, foram levados a um privilegiado estabelecimento prisional de regime fechado.
6) O fato provocou a hesitação do diretor do Complexo Penitenciário da Papuda em recebê-los. O impasse garantiu aos condenados o privilégio de ficarem mais de quatro horas dentro de um ônibus, aguardando uma decisão.
7) Para abreviar a demora e poupá-los do cansaço, eles tiveram o privilégio de passar o final de semana naquele mesmo aprazível estabelecimento, contrariando o regime semiaberto. Uma comentarista de TV, sem ruborizar, externou sua opinião de que isso não poderia ser considerado prisão, e sim “custódia”. Valeu pela tentativa.
8) Juristas como Dalmo Dallari, Hélio Bicudo, Ives Gandra Martins e Reginaldo Oscar de Castro consideram que a situação a que José Genoíno foi submetido fere as leis brasileiras e é uma clara violação aos tratados internacionais. Realmente, não é qualquer um que tem o privilégio de ter juristas desse naipe preocupados com suas condições. Não importa quais sejam as condições; o que vale é o privilégio de receber tais comentários.
9) Segundo o Instituto Médico Legal, Genoíno precisa de "cuidados específicos medicamentosos e gerais, controle periódico por exames de sangue, dieta hipossódica, hipograxa e adequada aos medicamentos utilizados, bem como avaliação médica cardiológica especializada regular". Por fazer uso regular de anticoagulante oral, deve ser submetido a exames de sangue periódicos para verificar sua coagulação sanguínea. É mesmo muita mordomia. Estão querendo fazer o Estado de babá.
10) Mas o cúmulo do privilégio quem teve não foi nenhum dos presos, e sim o senhor Henrique Pizzolatto, que garantiu o requinte de ter sua situação relatada pela comentarista de assuntos da Santa Sé, Ilze Scamparini. Graças a ela, veio a revelação de que a pronúncia correta dos zês de Pizzolato é a mesma da palavra pizza (tipo “pitzolato”). A primeira matéria foi feita pela repórter tendo justamente uma “pizzeria” ao fundo. De quem terá sido a tão sofisticada ideia? De todo modo, pelo didatismo, “grazie”!