domingo, 17 de agosto de 2014

Vida Consagrada no Brasil

A Vida Religiosa Consagrada do Brasil em questão
Assembléia da CRB Minas Gerais - 16.08.2014
No mês de julho de 2013, os religiosos e religiosas do Brasil concluíram um ano inteiro de reflexão e discernimento, constatando que, como os discípulos de Emaús, “estamos numa encruzilhada da nossa história, pois aconteceram coisas que não esperávamos”. Concluíram também, que algumas expectativas não se realizaram “e nos perguntamos por nossa identidade e missão”.
Ao mesmo tempo, reunidos/as em assembléia, afirmavam com convicção: “Jesus Ressuscitado caminha conosco, aquece o nosso coração e nos convida, por sua Palavra, a viver a radicalidade do seguimento com alegria e esperança”. Por isso, diziam estar prontos/as a se levantar com entusiasmo renovado para “ir às fronteiras da missão”, ouvindo os gritos, compartilhando as dores e abraçando a causa dos pobres e dos jovens.
Para fazer as contas com o caminho percorrido e concretizar este propósito caracterizado como horizonte iluminador para a caminhada dos próximos anos, os religiosos e religiosas reunidos em Assembléia estabeleceram quatro prioridades: (1) Reapropriar-se do núcleo identitário da Vida Religiosa Consagrada; (2) Intensificar a presença missionária e a atuação profética nas situações de fronteira e periferia;  (3) Fortalecer a Inter-congregacionalidade e a partilha de carismas e experiências, em vista da missão; (4) Qualificar o processo formativo em todas suas etapas e dimensões.
Precisamos ser cautos, e não dar por descontada a assimilação destas constatações e propósitos pelos institutos religiosos e seus membros. Aproveitando a oportunidade desta Assembléia Anual da CRB Minas Gerais, no contexto dos 60 anos de história da CRB, poderíamos parar um momento para perguntar e responder a nós mesmos/as:
Qual é mesmo a encruzilhada na qual estamos, e quais são os caminhos que se cruzam: os caminhos que nos fazem avançar, os caminhos que podem ser desvios e atalhos, caminhos que podem nos levar a recuar?
Contemplando os últimos cinquenta anos da nossa história e o momento em que vivemos, o que é mesmo que não esperávamos que acontecesse conosco e tem acontecido, e o que esperávamos que ocorresse e não ocorreu?
Cremos de fato que o Senhor ressuscitado caminha conosco e que sua Palavra, que precede e excede as escrituras sagradas, ressoa vivamente nos  gritos e dores dos pobres e jovens, a quem somos chamados/as a escutar?
É verdade que estamos dispostos/as a levantarmo-nos, a sacudir a poeira, a deixar a tentadora segurança das nossas casas e obras, outrora eficazes e socialmente relevantes, para ir às fronteiras da missão e ser presença profética?
Em que medida cremos realmente que em Jesus de Nazaré, que vem ao nosso encontro e nos acompanha como forasteiro e servidor, despojado de poderes, honras e privilégios, se esconde o núcleo identitário da Vida Religiosa Consagrada (VRC)?
A VRC, com suas intuições e instituições, faz parte dos nossos sonhos mais preciosos ou dos pesadelos que nos atordoam? Ela tem nos ajudado a experimentar a alegria de ser servo/a, e não príncipe ou princeza?
Estamos verdadeiramente dispostos/as a aprender uns/mas com os/as outros/as, a juntar forças, a pensar e atuar de forma intercongregacional? Qual é o grau da nossa disponibilidade pessoal e institucional para assumir funções na CRB?

Itacir Brassiani msf

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